sexta-feira, 14 de setembro de 2007

O dia do meu batizado

Agora pouco estava navegando pela internet, quando acessei o blog do Daniel Perrone e vi o vídeo da torcida do São Paulo "recepcionando" o time do Liverpool na final do mundial de 2005, no qual o Tricolaço se tornou Tri Campeão do Mundo. Ao terminar o vídeo eu dei uma zapeada pelas miniaturas abaixo e vi um vídeo.

Mas o que esse vídeo tem a ver com o assunto do post? Simples: nesse dia eu estava no Morumbi. Foi o primeiro jogo do SP que eu assisti no estádio. Lembro-me de cada detalhe dessa aventura que fez com que eu fosse no mínimo grato ao meu pai, que me mostrou o que é ter algo para acreditar.

Foi no dia 17/06/1992, uma quarta-feira. Eu tinha 12 anos e 8 dias. O adversário era o Newell´s Old Boys da Argentina. O primeiro jogo havia sido 1x0 para eles.

Meu pai, uma semana antes, havia combinado com um amigo dele que ia ao jogo, e esse amigo, o Claudio, iria então me levar. Fomos em um ônibus fretado, eu, o Claudião e seu filho, Claudinho (que hoje é meu advogado), saindo de Mogi por volta das 18h (não sei ao certo o horário - mas lembro-me que estava escuro). Eram uns 3 ônibus dessa caravana, que não era de torcida organizada nenhuma.

Logo na saída de Mogi havia um cara com a camiseta do corinthians, um pouco antes da ponte que dá acesso à Mogi Dutra. Acho que o cara nunca imaginou que ele tomaria tanta latada na cabeça, coitado.

E lá fomos nós, serra acima. E no caminho vários ônibus, carros, vans e motos de toda a parte iam se juntando e formando uma enorme caravana.

Não conhecia muito a cidade de São Paulo, mas depois de algum tempo no ônibus, lembro que perguntei ao Claudião onde estávamos, e ele disse: "Aí do lado é o Jockey Clube".

Após algumas avenidas e ruas, lembro-me de uma subida... e lembro que cada vez mais são paulinos estavam por essas vias. Todos com sorriso, como que prevendo o final daquela noite.

E então o ônibus começou a descer uma rua. Era uma rua de mão dupla, arborizada, e de acordo com uma das pessoas que estavam no ônibus: "Se prepara moleque, estamos chegando".

Corri então para a janela do busão. E fiquei olhando fixamente para frente. Vi um clarão. E do meio de muitas árvores surgiu, pela primeira vez em frente aos meus olhos, o maior estádio particular do mundo. Ele era lindo, grande, imponente.

O ônibus parou. Todos desceram. Triagem. E lá vamos nós em direção as numeradas vermelhas. Praça Roberto Gomes Pedrosa, à esquerda de quem vem do Shopping Butantã. Muitaaaaaaa gente. Muita gente mesmo. Nunca havia visto tanta gente junta.

Um tempão esperando para ser revistado. Ingresso na mão do cara que ficava na catraca. Corredor do estádio...

Vejo, de longe, a entrada para a numerada. O coração deveria estar a mil. Avisto o campo. Ele brilhava. Era um verde muito vivo. Era claro, era lindo.

Começa o jogo. Jogo truncado. Fim do primeiro tempo. Começa o segundo. A torcida começa a pedir o Macedo. E ele entra. Sofre o penalti. Raí pega a bola e aos 20 minutos do segundo tempo, pela primeira vez na vida eu gritava com toda a minha força e não ouvia minha voz. O estádio balançava, tremia, parecia que ia cair. Todos se abraçavam. 1x0 SP.

Jogo truncado. Fim de jogo. Penaltis... e então aconteceu. Lembra do vídeo que citei no incio do post? Pois é... o resto será dito por imagens.



E então fui batizado... no templo máximo da minha religião: o gigante estádio Cícero Pompeu de Toledo, também conhecido como Morumbi, MorumTRI, MorumTETRA...

* Por eu estar na numerada, não consegui ir para o gramado.